domingo, 26 de setembro de 2010

The Mother and Child


Foto tirada em Curitiba- PR.
Me deparei com este belo monumento, em que mostra uma mulher e em seus braços uma crinça.
Isso me demonstra os laços que existe entre pais e filhos.

Parte 5- Final

Dias passam, meses passam e Marie debilitada, fracassada e isolada pelo próprio sentimento.

Afinal ela não traiu Antonie, e sim se traiu a si mesmo, veio em sua mente uma vaga lembrança:

[...] em uma tarde ensolarada de primavera, os dois sentados no gramado do Le parc des Buttes-Chaumont, tomando café e fazendo planos para o futuro, rindo das besteiras que vaziam quando crianças, chorando das tristezas vividas... No gramado o vestido florido de Marie se confundia com as flores que habitavam ali, deitados no tapete verde olhando para o céu, fantasiando as nuvens, momentos de carinho e amizade, ele dizendo varias vezes a ela.

- Je t’aime, je t’aime.

Ela deitada sobre seu sofá ou casulo, lembrado de seus momentos ao lado dele, e ainda com esperanças de voltaria.

Nesta tarde, veio o que esperava: um sinal!

Antonie ligara para ela marcando um encontro no café Le Bristol, neste momento Marie perdeu o chão, tanto acreditou na volta, seus sentimentos se tornaram fantasias de criança.

Vestiu a primeira roupa que viu pela frente, prendeu seu cabelo, colocou seu sapato e saiu as pressas como se estivesse atrasada.

Na rua, Marie esbanjava alegria, seu sorriso era o que mais se notava, seus cabelos balançavam de uma forma alegre, seus passos pareciam estar dançando.

Chegando ao café, sentou-se na mesa ao lado da janela, pois queria acompanhar os passos de Antonie quando ele chegasse.

Dois, três,... dez minutos depois ele aparece, seu sorriso, nada tão alegre, escondia seu sentimento confuso que estava sentindo no momento, aproximou-se da mesa e a cumprimento com beijo no rosto. Ela com um sorriso bobo devolveu o beijo.

Sentou-se a mesa da janela de frente para ela, queria ver seu rosto que a tempo não a via, pegou em sua mão, massageou de uma forma carinhosa. Nos olhos de Marie, gotículas de água começava a surgir e em seu rosto escorregar.

Ela:- Queria fazer parte do seu mundo, eu tentei mas algo mais forte que não deixava. Eu fiz sonhos para nós dois e imaginava as brigas que teria com você ao ver o modo como você educaria os nossos filhos. Teríamos um casal de filhos eles não teria seus olhos, mas o seu olhar. Eu fugi tantas vezes do clichê porque sabia que ele te desagradava, desisti das frases feitas e me cansei de notar o jeito doce como você sorria ao ser olhada. Eu fiz tanto e hoje eu jogo tudo fora.

Ele em um suspiro profundo acrescentou:

-Imaginei que você sentisse ainda tudo isso por mim, por isso vim lhe pedir para voltar, este mundo em que vivi por algum tempo estava me prendendo à solidão, isso me fez pensar em nossa união, em nossa amizade.

Ela achou tão delicado a forma como a luz teimava em pousar nos dedos dele, reparou que a camisa estava com a gola direita desarrumada e sentiu amor como jamais sentira antes.

Deu uma golada no café e pousou a xícara com força, haviam revistas nas prateleiras, de algum lugar ali Edith Piaf acenava e dizia para ela ir em frente:

- não eu que deveria ter dito isso a você, não sabe o quanto sofri pelo meu erro, pelo meu egoísmo, o meu sentimento de culpa estava me matando a míngua, por isso lhe peço desculpas, desculpa...

Uns fortes abraços deram ao som de La Vei en Rose, saíram do café de mãos dadas, como crianças que acabaram de ganhar um doce.

Três anos se passaram...

Antonie e Marie se casam, tem filhos continuam trabalhando nos mesmos lugares, continuam passeando pelas praças de Paris, levam seus filhos a escola, brincam, brigam e assim levam a vida de uma forma simples como sempre queriam.