quarta-feira, 25 de maio de 2011

Here Comes The Sun


Seus olhos fechado-abertos, mal conseguia ver o que havia ao seu redor, ainda escuro, virou-se para o lado direito estendeu seu braço e foi tocando os objetos com a ponta dos dedos até encontrar seu despertador, olhou à hora e de súbito levantou-se, estendeu seus braços até onde podiam, seus dedos quase vão ao encontrocom o teto de seu quarto.
Deu alguns passos até o banheiro lavou seu rosto, e novamente se pôs ao seu quarto, botou a primeira camisa que avistou em sua frente, vestiu seu jeans e seus all star preto desbotado.
Na cozinha preparou seu café preto e de um impulso só, bebeu. Pegou sua mochila que já estava a sua espera, para ser carregada em suas costas já curva.
Na rua foi caminhando pensando em como será o seu dia, na parada, à espera do ônibus, prestava atenção nos olhares das pessoas que ali estavam também à espera do ônibus, eram olhares de insônia, alegres, tristes, desconfiados, nervosos.
No ônibus já lotado, não avistou nenhum lugar vazio, o restou ficar em pé. Pela janela avista o movimento do começo do dia, carros, buzina, motos, pessoas correndo por estarem atrasadas, em seu rosto o vento batia.
Via o dia nascer, via o sol despertar e espreguiçar todos seus raios e luzes, na rádio por coincidência ou não, os Beatles cantarolavam "Here Comes the Sun".

"Here comes the sun
And I say
It's all right..."

Assim, começou seu dia.

sábado, 21 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011



"Toda essa conversa sobre a igualdade. A única coisa que as pessoas realmente têm em comum é que eles estão todos indo para morrer."

Bob Dylan.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Primeiro você cai num...


… poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê."

Caio F.

Tanto fascínio a troco de nada.

15 de maio de 2011. Domingo, dia chuvoso e frio.
Na TV a rivalidade toma conta e a sociedade conformatizada com tão pouco.
Final de jogo, gritarias histéricas, berros de uma felicidade passageira, afinal, amanhã (hoje) é segunda- feira e tudo volta ao normal.
Analisando este comportamento das pessoas em torno de uma disputa em que um quer ser superior ao outro, me pergunto o porquê deste fanatismo que elas têm por algo que não acrescenta nada em sua vida. Um fanatismo fora do normal, em que sofrem, choram, em alguns casos morrem, qual o motivo por tanta fascinação?
Quero tentar entender isto.
Qual é a razão de um ser, querer se preocupar com a escalação do time, com as vitórias e derrotas, por que não se preocupar com a sociedade carente que merece mais atenção do que uma simples partida de futebol, não há a preocupação com crianças que nem sequer tem uma bola para chutar e poder comemorar seu gol, enquanto isso, vocês comemoram uma vitória a troco de nada.
Irão acreditar uma seleção de futebol, ajuda muitas crianças à saírem da marginalização, será?
Talvez não saibam da quantidade de dinheiro que "rola" dentro desses times no qual é muito comparado com a nossa atual política.
Enfim, fica aí a minha nota no que penso e analiso sobre o nosso "querido" futebol.


terça-feira, 10 de maio de 2011


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e lá fora... a chuva.

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

Fernando Pessoa

On the Road


Talves se hoje fosse sexta-feira, eu poderia sair por ai sem rumo, pegar uma estrada ao estilo On the Road, concerteza Jack Kerouac seria meu companheiro.
Em um fusca velho vermelho correndo contra o vento, em um asfalto cheio de esperença e aventura com muito folêgo.
Voaria em uma altura além das nuvens, saltaria entre buracos [...]
velocidaaaaadeeeeeee alta aí vamos nós.
Vamos partir em busca de uma viagem alucinante em busca do nada, pois o nada é o quero.
Nada de se preocupar, deixe um pouco sua rotina agitada e vamos à existencia de um mundo sem mistério algum.
Durante a jornada, escutaremos o som do vento batendo contra o carro.
Durante a jornada, vamos gritar bem alto o que está enclausurando a nossa voz.
Vamos atravessar o de um luar a outro.
...

Assim, vou chegar onde quero, ou seja, o nada
O nada, não quero nada, quero me aventurar, por estradas de hão, por encruzilhadas, quero enchergar o horizonte.

...

*Casualmente, uma gostosíssima garota do Colorado bateu aquele shake pra mim; ela era toda sorrisos também; eu me senti gratificado, aquilo me refez dos excessos da noite passada. Disse a mim mesmo: Uau! Denver deve ser ótima. Retornei à estrada calorenta e zarpei num carro novo em folha, dirigido por um jovem executivo de Denver, um cara de uns trinta e cinco anos. Ele ia a cento e vinte por hora. Eu formigava inteiro; contava os minutos e subtraía os quilômetros. Bem em frente, por trás dos trigais esvoaçantes, que reluziam sob as neves distantes do Estes, eu finalmente veria Denver. Imaginei-me num bar qualquer da cidade, naquela noite, com a turma inteira; aos olhos deles, eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que cruzasse a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: “Uau!”…



* trecho do livro On the Road (Jack Kerouac)