domingo, 31 de julho de 2011

Hoje não tenho...

nada a cuspir, deixo uma música a vocês.

Construção

Composição: Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meus Heróis Morreram de Overdose


Considerada para muitos, louca, excêntrica, rebelde sem causa (as vezes com causa), já para outros musa do Jazz moderno,branca com voz de negra. Assim, Amy Winehouse era vista com os olhos do mundo. Não era fã, mas gostava (gosto) muito do estilo das músicas dela, um estilo que soa jazz em meus ouvidos, uma voz que me lembra e muito com a de Billie Holiday. Posso dizer que Amy se matou, mas admito que gosto muito destes artistas sofredores, que buscam algo mais do que a música, buscam o sofrimento das etapas de suas vidas e após explodem essas emoções em suas músicas, mas que no fim aniquilam os talentos de uma forma trágica.

Mas, enfim, procuro enchergar também as qualidades desses artistas, e é de fato dizer que, grandes gênios da música nunca mais vamos ver algo parecido.


Gostaria de dizer que não me arrependo
Que não há divídas emocionais
Porque, quando a gente se despede, o sol se põe
Nosso romance acabou
A sua sombra me cobre
O céu é uma chama
Que só os amantes vêem

(Amy Winehouse)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um certo Outono

Saia com pressa de sua casa, entre tropeços e corridas para não perder o ônibus.
Cecilia era quase uma invísivel, se esbarrava contra as pessoas para ser notada.
De sua boca mal saia uma palavra em direção ao outro, tentava se esconder dentro de si mesma.
Diziam que por fora era uma flor, mas por dentro tinha espinhos.
Espinhos que machuvam as vezes sem querer, mas na maioria das vezes para valer.

Cecilia serrava seus dentes ao correr contra o vento.
Cecilia alimentava seu peito com o ar poluido.

Seus sapatos, marrom-desbotado-gasto, sua mochila carregada de melancolia, suas mão levavam um pequeo caderno em que anotava coisa que viessem a sua frente, e assim que a encherga enche seus pulmões de ar e anota o que lhe solta aos olhos.

Seu outono, de folhas secas, de abraços tímidos, de sorrisos encabulados.
Seu outono de vento nos cabelos, de passeios curtos.

Seu outono- outro dia.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Howl


"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus..."



Assim inicia a obra Uivo de Allen Gisberg, poeta americo da geração Beat.
Gisberg Naceu no dia 3 de junho de 1926, quando criança, era tímido e complicado, e ainda, tinha que viver com os estranhos episódios de sua mãe, em que dizia que o mundo conspirava contra ela.
Segundo alguns biógrafos, Allen já na sua adolecência na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, filósofos de almas selvagens (entre eles Jack Kerouac), obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas, freqüentando bares gays em Greenwich Village e vivendo seus affairs homossexuais. (Fonte: Wikipédia)
Nos anos 60, sua personalidade se torn famosa no movimento Hippie, onde, participava de protestos contra a Guerra do Vietnã e divulga o psicodélico LSD.
Sua obra Howl em 1955 foi considera obcena e pornográfica, sendo assim, proibida de ser comercializada.

sábado, 2 de julho de 2011

[Ex] Trações

Sua pele expele perfume. Seu lenço no pescoço se entrelaça com tanta vontade de abraça-la.
Sua voz se manifesta desesperadamente, gritos vibratórios.
Suas mãos lançam-se ao ar, parecendo pedir algo aos céus.
Saira pelos andarilhos da sua rua, descalça.
Ousaria berrar para todas as direções possíveis, sem se lamentar de nada- ousaria?
Veio buscar suas malas, já prontas para partir para o seu rumo desconhecido, desagradável, inútil.
Pensaria que a lua seguiria seus passos descontrolados, seguiria a sua sombra desorientada.
Se arrependeria de abusar os seus sentimentos tortos.



[...] Meio.


Após, desgostos, agostos, gestos.
Encravada entre bocas e unhas, se ajustara em repartições minusculas.
Era o seu desejo, de querer, esprimir seus sentimentos, através da sua epiderme, derme.
Chegara assim.... deitada com emoções
[ex] traidas.