sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um certo Outono

Saia com pressa de sua casa, entre tropeços e corridas para não perder o ônibus.
Cecilia era quase uma invísivel, se esbarrava contra as pessoas para ser notada.
De sua boca mal saia uma palavra em direção ao outro, tentava se esconder dentro de si mesma.
Diziam que por fora era uma flor, mas por dentro tinha espinhos.
Espinhos que machuvam as vezes sem querer, mas na maioria das vezes para valer.

Cecilia serrava seus dentes ao correr contra o vento.
Cecilia alimentava seu peito com o ar poluido.

Seus sapatos, marrom-desbotado-gasto, sua mochila carregada de melancolia, suas mão levavam um pequeo caderno em que anotava coisa que viessem a sua frente, e assim que a encherga enche seus pulmões de ar e anota o que lhe solta aos olhos.

Seu outono, de folhas secas, de abraços tímidos, de sorrisos encabulados.
Seu outono de vento nos cabelos, de passeios curtos.

Seu outono- outro dia.

Um comentário:

Luzia Medeiros disse...

Olá Everton encontrei seu cantinho na ABL e gostei bastante, belo texto falando nessa estação tão bela, onde as folhas secas caem para que nasçam outras mais belas.
estou seguindo, se quiser visitar minhas singelas palavras fique a vontade, beijos.
http://luzia-medeiros.blogspot.com/